Uma aposta na esperança


The best is yet to come”, diz a placa de bronze do túmulo de Frank Sinatra, no Desert Memorial Park, em Cathedral City, na Califórnia. “O melhor ainda está por vir”, é o resumo sobre a vida de um filho de italianos, que morreu em 1998 e, mais de uma década depois de sua morte, continua sendo considerado uma das mais espetaculares vozes jamais gravadas, um dos maiores intérpretes da música do século 20. Se o melhor ainda está por vir, continuamos esperando.

A frase, entretanto, certamente não se refere à sua carreira, ou mesmo à música. O pensamento tem caráter escatológico e revela esperança. Sinatra foi um homem que viveu intensamente. Rico e sofisticado, não desperdiçou as muitas coisas boas que a vida pode oferecer. Ele tentou levar consigo uma parte das coisas que mais amou, sendo atendido no pedido de ter em seu caixão uma garrafa de whisky e um isqueiro de ouro, além de algumas moedas para poder dar algum telefonema de emergência. Mas ele se alimentava da esperança de que o melhor de tudo ainda viria depois da morte.

Não deixa de ser extraordinário, para um homem que marcou profundamente a humanidade do seu tempo. É uma clara demonstração de que não é prudente mostrar todas as cartas do jogo antes do tempo. A vida é mais do que aquilo que podemos juntar em nossas mãos, depósitos, contas bancárias ou posses materiais. Não vale a pena perdê-la com uma corrida louca atrás de sucesso e riqueza. Se o melhor ainda está por vir, é necessário parar de vez em quando e fazer alguns lances movidos pela esperança. Buscar o sentido da vida é mais importante do que tirar a sorte grande. Até Sinatra sabia disso.

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