Renascer em crise não afeta bispa Sônia Hernandes


Veja um relato impressionante de até onde pode ir o mau-caratismo em nome de Jesus. O livro da bispa Sônia Hernandes, da Igreja Renascer, tem um título extremamente coerente. Condiz com a vida nababesca que leva, em nome de Jesus. Leia a matéria da ALC, a seguir.

A líder da Igreja Renascer em Cristo, bispa Sônia Hernandes, 52 anos, lançou no sábado, 10 de setembro, na Feira do Livro do Rio de Janeiro, “Vivendo de Bem com a Vida”, pela Editora Thomas Nelson.

A primeira edição do livro, com tiragem de 17 mil, já está esgotada. Um segunda edição foi providenciada, de 10 mil cópias. Parte desse volume, contam os repórteres João Loes e Rodrigo Cardoso, da revista IstoÉ, serão destinados aos fiéis da Renascer a um preço acima do mercado.

Bispos e pastores vão anunciar nos cultos: “Quero cinco pagando 300 reais por cada um desses livros até o final do culto”. A estratégia aponta para uma crise na Renascer ancorada em cisões internas, lideranças migrando para outras denominações, templos fechados por falta de pagamento do aluguel e indenizações que deverão ser pagas no futuro, uma delas pela queda do telhado do templo da Renascer do Cambuci, São Paulo, em 18 de janeiro de 2009, que matou nove e feriu 117 pessoas.

O quadro da crise está estampado no número de templos da denominação espalhados pelo país. A Renascer chegou a ter 1.100 templos em 2002, hoje são pouco mais de 300. Em entrevista à revista semanal IstoÉ, Sônia Hernandes explicou que igrejas menores foram agrupadas para formar igrejas maiores, ao mesmo tempo em que a liderança incentivou a formação de grupos em casas de fiéis.

Só em São Paulo, a Renascer enfrenta 40 ações de despejo. “Todas as ações estão em negociação e a igreja tem feito um grande esforço para resolver as questões pendentes. Muitos casos já estão resolvidos, negociados com imobiliárias e proprietários”, explicou a bispa.

Na análise dos repórteres da revista, o episódio da prisão do casal Sônia e Estevam Hernandes, 57 anos, em Miami, quando foram flagrados, em 14 de janeiro de 2007, transportando 54.647 dólares em moeda acomodados numa Bíblia, foi outro baque na credibilidade dos líderes da Renascer. O casal tentou passar pela alfândega sem declarar o valor e ficou preso nos Estados Unidos.

Em São Paulo, o Ministério Público acusou o casal de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e estelionato. A Renascer também perdeu, em 2010, o seu maior divulgador, o jogador de futebol Kaká, ele e sua mulher, Caroline Celico, dizimistas da igreja. Kaká é o sexto jogador mais bem pago do mundo, recebendo, segundo estimativas, 21 milhões de dólares por ano. Dez por cento iam para os cofres da Renascer.

Mesmo nessa crise, segundo a reportagem da IstoÉ, a bispa Sônia pouco alterou seus hábitos consumistas. “Com um salário que gira em torno dos 100 mil reais, ela continua com programas televisivos e de rádios diários, veste-se com as mais exclusivas grifes e está sempre adornada com joias e relógios caros. Do apartamento tríplex onde mora, em um bairro nobre na zona centro-sul da capital paulistana, ela sai pela cidade para cumprir suas obrigações de carro importado, blindado e escoltado por dois seguranças. Isso quando não usa um helicóptero avaliado em 2,5 milhões de reais para visitar seus sítios e haras no interior paulista”, relatam os repórteres.

O primogênito do casal, Felippe Daniel Hernandes, o bispo Tid, tomara as rédeas das finanças da Renascer para o saneamento das contas, ação que estava dando resultados. Em agosto de 2009, porém, Tid realizou operação para reparar cirurgia de redução do estômago malsucedida. Ao refazê-la, ele teve parada cardiorrespiratória, e hoje vive em hospital, em estado vegetativo.

“Tenho o privilégio de viver uma vida relativamente equilibrada, apesar dos altos e baixos e da doença do meu filho, e me sinto devedora por isso. Escrevi o livro como forma de agradecer às pessoas que torcem por mim e me dão forças”, afirmou a bispa na entrevista para a IstoÉ.O portal da Igreja Renascer informou que a bispa vendeu mais de 2 mil exemplares do seu livro na Bienal do Rio. (ALC)

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