Nada mudou em Potosi



Essa reportagem comovente do Domingo Espetacular (Record) de ontem, 25 de setembro, mostra que pouca coisa mudou na América Latina desde o imperialismo colonial. O cenário é o mesmo: Potosi (Bolívia), a cidade mais alta do mundo. Os protagonistas são, ainda, os mesmos: indígenas latino-americanos. A situação não mudou nada em séculos: escravidão. O remédio para suportar tudo é, ainda, o mesmo: a bochecha gorda escondendo o maço de folhas de coca para serem mascadas, ajudando a suportar o que não é suportável.

Quem quiser saber como tudo começou, precisa ler, da primeira à última página, o clássico dos clássicos sobre o imperialismo no nosso sofrido continente: As Veias Abertas da América Latina, do escritor uruguaio Eduardo Galeano. Ele conta como uma montanha de prata foi reduzida a escombros, por mãos indígenas e bochechas recheadas de folha de coca, aí mesmo, em Potosi. Sem ler esta obra-prima acerca do nosso trágico destino, você não sabe nada sobre a América pobre, indígena, explorada, subjugada, que doou o seu sangue para enriquecer a Europa.

Você vai sentir a sua carne tremer. Como a carne da jovem repórter Adriana Araújo, que entrou na mina junto com aqueles pobres mineiros. Você vai sentir a sua alma gelar de dor e comoção. Adriana entrou na reportagem com a típica firmeza que caracteriza os jornalistas. Mas Adriana tremeu, se envolveu, se abalou com tudo aquilo. Adriana chorou e balbuciou, desesperadamente, que alguém precisa fazer alguma coisa para mudar aquela realidade. Eu balbucio também. E você também balbuciará. Não há como calar-se... Não há como!

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